19 agosto 2021

Comemora-se em 19 de agosto o Dia Nacional do Ciclista. Saiba o por que da escolha dessa data

 

Dia 19 de agosto é o Dia Nacional do Ciclista: uma data para ser comemorada e servir de reflexão para todos

Nelson Gonçalves, especial para a Folha do Povo

Mais que uma comemoração, o Dia Nacional do Ciclista é uma data para reflexão sobre as atitudes de todos no trânsito e sobre a necessidade de proteção ao ciclista por parte das autoridades. Poucos sabem o porquê da escolha do 19 de agosto para se comemorar o Dia do Ciclista no Brasil.

É um dia para se pensar em maneiras de aumentar a segurança de quem pedala nas ruas das cidades, pelas rodovias e estradas de terra batida na zona rural. A bicicleta é usada como deslocamento ao trabalho, à escola e também como lazer ou para a prática esportiva.

A data também é importante para se promover o uso da bicicleta, já que ela representa um meio de transporte sustentável e que em muito contribui para nossas cidades, com a redução das poluições atmosférica e sonora, diminuição de mortes no trânsito, desafogamento das redes de transporte coletivo e alívio dos congestionamentos causados pela enorme quantidade de automóveis circulando nos grandes centros.

É um ótimo dia para reforçar a cobrança a autoridades municipais, estaduais e federais para que tornem nossas cidades seguras para a mobilidade ativa, tanto no âmbito do uso da bicicleta quando também no do pedestrianismo, que a prática esportiva de se fazer grandes marchas a pé.

Lei para comemorar a data

No Brasil o Dia Nacional do Ciclista foi instituído pela Lei 13.508, sancionada em 22 de novembro de 2017 pelo presidente Michel Temer. Onze anos antes, no dia 19 de agosto de 2006, o biólogo Pedro Davison, então com 25 anos, foi atropelado enquanto pedalava no Eixo Sul, em Brasília. Pedro não resistiu aos ferimentos e faleceu no local.

Quem conduzia o carro era Leonardo Luiz da Costa. Ele dirigia embriagado, excedia a velocidade permitida para a via e estava com a CNH (Carteira Nacional de Habilitação) vencida. Para piorar, fugiu sem prestar socorro.

Pérsio Davison, pai de Pedro, contou em entrevista ao jornal “Correio Brasiliense” que, no início, a situação era tratada como “acidente”. Mas em poucos dias a investigação policial constatou o caso como um crime grave.

“Foi o primeiro julgamento em Brasília como crime doloso de trânsito”, afirmou ao jornal. “O caso criou impacto forte na cidade, como a revelação de uma violência que não podia mais acontecer. Aquilo foi consequência do comportamento de uma pessoa.”

 

Luiza Davison coloca flores no monumento dedicado ao pai Pedro Davison, que motivou a criação da lei para o Dia Nacional do Ciclista (foto Pedro Fogaça)

Condenação do criminoso

Levou quatro anos para que o autor do crime fosse condenado, por homicídio doloso. Em fevereiro de 2010, Leonardo Luiz da Costa foi sentenciado a seis anos de prisão em regime semiaberto, após um julgamento de quase 10 horas. Por ser réu primário, o acusado pôde recorrer da sentença em liberdade. E cumprido um sexto da pena, o regime passaria a ser aberto.

Nesse período, é quase certo que tenha continuado dirigindo. A condenação foi considerada leve por amigos e familiares da vítima na ocasião, dada a gravidade do crime praticado e as repercussões que isso teria, sobretudo porque o ciclista Pedro deixava uma filha de 8 anos. O final do julgamento foi marcado por gritos de protesto.

Em julho de 2012, veio outra sentença. Leonardo foi condenado a pagar indenização de R$ 150 mil aos pais e à filha da vítima, mais R$ 970,47 de pensão a sua filha, até a data em que ela completasse 25 anos, incluindo uma parcela a cada 12 meses do mesmo valor, a título de 13º, e mais R$ 323,49, correspondente a 1/3 de férias. Ele também teve que arcar com as despesas do funeral do ciclista, no valor de R$ 3.612,00.

O réu chegou a recorrer, mas a decisão de primeira instância foi confirmada pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal (TJDFT).

Repercussão

O caso do Pedro Davison foi um dos que subsidiou o debate e a criação de outra lei, conhecida como a Lei Seca, a de número 11.705, sancionada em 19 de junho de 2008 pelo presidente Luis Inácio Lula da Silva.

Em 23 de outubro de 2013, o analista de sistemas, gerente do Riopreto Shopping Center, morreu ao ser atropelado quando trafegava com sua bicicleta pela rodovia vicinal que liga Cedral à Potirendaba. Era um domingo e, embora socorrido, já chegou sem vida ao hospital. Ele tinha essa pratica de todos os domingos pela manhã pedalar pelas estradas vicinais da região.

Mãe leva seus dois filhos, de bicicleta, utilizando ciclovia em avenida, para a escola


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