18 abril 2021

Campanha arrecada produtos de higiene para pacientes do HB

Giovana Lagassi e os produtos doados para pacientes terminais no HB


Uma ação solidária vai ajudar pacientes que requerem cuidados paliativos na ala de Atenção ao Câncer no Hospital de Base (HB) de São José do Rio Preto. Além de ajudar os pacientes, proporcionar novas esperanças, beneficiará também os familiares. A iniciativa partiu da fisioterapeuta Giovana Lagassi, formada pela Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM) e que atua na Residência Multiprofissional em Atenção no HB pela Faculdade de Medicina de Rio Preto (Famerp).

Os cuidados paliativos são indicados para todas as pessoas que sofrem de doença que ameaça a vida e que piora ao longo do tempo. São também conhecidas como doença terminal, que entristece a todos.

“Quando ouvirem que não há mais nada a se fazer, lembre-se de mim e entendam, que mesmo quando não há nada para fazer, tem muito a ser feito ainda”, afirma Giovana. “E parte disto engloba essa campanha maravilhosa, autorizado pelo setor. Amor, cuidado, carinho, compaixão, empatia, acolhimento e suporte, são remédios fundamentais na abordagem paliativa”.

Giovana explica que durante sua atuação como residente multiprofissional no setor de cuidados paliativos no Hospital de Base observou as dificuldades quanto a falta de produtos higiênicos para esses pacientes. Pediu autorização de seus superiores e iniciou a campanha para arrecadar sabonetes, shampoo, condicionador, talco, hidradante, entre outros produtos de higiene pessoal.

Por ter sido integrante do Leó Clube de Guaíra, instituição vinculada ao Lions Clube Internacional, Giovana já estava acostumada a promover campanhas beneficentes. Servir ao próximo é um dos lemas do Lions. “Sei o quanto é bom ajudar o próximo e enquanto Deus me der condições serei sempre mais uma, entre milhões de pessoas, a estar sempre ajudando a quem precisa”.

Giovana se surpreendeu, entretanto, com a repercussão da campanha, especialmente em sua cidade, Guaíra. “Imaginei que teríamos arrecadações, mas em menor proporção”, revelou. “No entanto fui surpreendida por tamanha empatia de todos que ajudaram. Mas de 100 seres humanos iluminados se sensibilizaram com a causa e realizaram suas doações. Pessoas que não conhecia, mas que dentro de seu orçamento conseguir arrumar um valor para ajudar”

“Só temos que agradecer a todos que ajudaram. Em especial à população de Guaíra, que não mediu esforços, agradecer aos amigos, meus familiares e agradecer muito a Deus por essa oportunidade”, afirma Giovana, emocionada com a ajuda de todos. “Neste momento, as palavras seriam poucas para agradecer tanto carinho e ajuda. Cada um que doou fez a diferença. Com certeza estou no lugar e na profissão certa. Meu muito obrigado, por acreditarem e confiarem no meu trabalho, que Deus os abençoe e retribua em dobro, principalmente o amor, carinho e a compaixão ao próximo”.

Cuidados paliativos

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), os cuidados paliativos consistem na assistência promovida por uma equipe multidisciplinar que objetiva a melhoria da qualidade de vida do paciente e seus familiares, diante de uma doença que ameace a vida. Com identificação precoce, o tratamento pode aliviar a dor e demais sofrimentos físicos, sociais, psicológicos e espirituais. 

‘’Descobri que Cuidados Paliativos não era sobre morrer, era sobre como eu queria viver até lá. E esse lá pode ser um mês, dois anos, cinco anos, 10 anos. Quem sabe?’’. Quem afirma é Ana Michelle Soares, de 35 anos, que descobriu câncer de mama metastático, sem cura.

Sofrimento retratado

O sofrimento das doenças já foi retrato na música e na poesia. Contam que o cantor mexicano Roberto Cantoral, autor das letras das famosas músicas “La Barca” e “El Reloj”, compôs essa última música de forma sofrida e atormentada na antesala do centro cirúrgico de um hospital, onde sua mulher estava internada e seria operada. Os médicos haviam lhe dito que o quadro era extremamente grave e havia poucas chances de sucesso. Ele ficou sozinho na antesala, olhando as horas passar e escutando no silêncio da noite, para sua agonia, o tic-tac do relógio.

‘’Resta quanto tempo? Não sei. O relógio da vida não tem ponteiros. Só se ouve o tique-taque... Só posso dizer ‘Carpe Diem’ – colha o dia como um morango vermelho que cresce à beira do abismo. É o que tento fazer”, escreveu Rubem Alves, sobre o estado terminal dos pacientes.

Giovana mostra que doações superaram suas expectativas e agradece

Doação de materiais de higiene, como sabonetes, shampoo para pacientes do HB



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