17 fevereiro 2021

Covid mata mais que violência, mas policiais seguem fora dos grupos prioritários da vacinação

 

Eduardo Becker, presidente do Sindicato dos Peritos Criminais pede inclusão da categoria entre os prioritários para a vacinação

 

No ano passado, 22 agentes de segurança morreram em confrontos com criminosos durante o serviço, enquanto a Covid-19 matou 43 profissionais. Os dados são da Secretaria da Segurança Pública (SSP).

 Apesar de desempenharem função essencial durante a pandemia, os policiais técnico-científicos não figuram no grupo prioritário de vacinação. Em dezembro, o Sindicato dos Peritos Criminais do Estado de São Paulo (Sinpcresp) solicitou inclusão dos servidores da Polícia Técnica-Cientifica entre os grupos prioritários da vacinação. 

O pedido foi enviado ao secretário da SSP, general João Camilo Pires de Campos, e não foi atendido. “Peritos criminais e demais carreiras são expostos diariamente a riscos de contaminação, atendendo vítimas de crimes e seus familiares, além de manipular cadáveres tendo contato direto contato direto com secreções biológicas, como sangue, fezes, urina, vômitos”, disse o presidente do sindicato, Eduardo Becker. “Diante dessa realidade, solicitamos ao governo a inclusão no grupo prioritário, mas não fomos atendidos. Agora reforçamos a necessidade de imunizar quem está diariamente na rua se arriscando em nome da segurança pública. Esperamos que pelo menos os servidores que atuam em laboratórios que exames amostras biológicas e na linha de frente, atendendo a população e comparecendo a locais de crime, entre eles hospitais, sejam atendidos”.

Perita da Polícia Técnica durante trabalho de coleta de provas após crime


 Na avaliação da diretora do sindicato, Camila Guedes, o governo nega a alta exposição dos peritos criminais e demais policiais técnico-científicos. “O governo não está aberto ao diálogo e parece desconhecer o dia a dia do trabalho policial, de exposição não somente a pessoas vivas, mas também a cadáveres de morte suspeita”, afirma.

 Essa desvalorização das carreiras de segurança pública, felizmente, não é regra. Estados como Paraíba já vacinaram seus peritos, reconhecendo esta vulnerabilidade. “No início da pandemia o governo até se mostrou sensível ao trabalho pericial, publicando regulamentações para evitar a exposição dos profissionais, mas na prática eles não se mostraram eficientes, devido ao grande número de situações diversas que nós deparamos diariamente, e que não são amparadas por elas”, completa Camila.

No ano passado, 19 policiais militares, 21 policiais civis e três policiais técnico-científicos morreram em decorrência da doença. Ainda segundo o sindicato, há uma quarta morte de policial técnico-científico que está sob suspeita.

Em 2021, o número de mortes continua subindo. Até 5 de fevereiro, o saldo é de 59 policiais mortos. “Por causa da escassez de vacinas, o cronograma avança de forma lenta e, por isso, ainda não há previsão para que os policiais técnico-científicos sejam imunizados contra o coronavírus. Essa é mais uma forma de descaso com que os servidores da segurança pública são tratados diariamente. O número de policiais não traria grande impacto ao esquema de vacinação, mas é fundamental para proteger quem lida diariamente com o risco”, completa Becker.

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