01 dezembro 2020

Morre José Egreja amante da Cultura e da Arquitetura

 

Sede da antiga Usina Campestre, em Penápolis, onde José Egreja foi o seu principal diretor

Nelson Gonçalves

O corpo do ex-deputado federal e constituinte José Viana Silvestre Egreja foi sepultado hoje, por volta das 10 horas, no Cemitério Santa Cruz, em Penápolis. Nascido em Timburi (SP), José Egreja, como era conhecido, morreu na madrugada desta segunda-feira, aos 92 anos. Ele estava internado na Santa Casa de Penápolis com problemas pulmonares há mais de um mês. José Egreja era apaixonado por Cultura e Arquitetura.

Formado em Arquitetura pela Universidade de São Paulo (USP), profissão que embora adorasse nunca chegou a exercer de fato. Ele era foi um dos fundadores da Fazenda Campestre e diretor da usina com o mesmo nome que, por muitos anos, foi uma das principais empresas da região de Penápolis. Para se ter ideia da dimensão da fazenda, era uma das poucas dentro do Estado que possuía aeroporto próprio para pousos e aterrisagens dos jatinhos da família e de alguns políticos.

Egreja começou sua atividade como político em 1986, quando elegeu-se deputado federal pelo PTB. Ajudou a elaborar a Constituinte de 1988, fazendo parte da Comissão Agrícola e Fundiária da Reforma Agrária, bem como da Comissão da Ordem Econômica e dos Direitos Políticos. Terminado o mandato em 1991, preferiu não se candidatar à reeleição. Em 1994 candidatou-se e se reelegeu novamente como deputado federal. Em 1998 sua última participação na política foi como candidato a vice-governador na chapa de Paulo Maluf, que não se elegeu. 

Família na política

Livro escrito por José Egreja em 2001 presta homenagem ao pai dele


Casado com Celia Penteado Egreja, com quem teve quatro filhos. Sua família possui participação ativa na política. Seu pai, Sylvestre Ferraz Egreja, foi nomeado interventor em Ipaussu, cidade na região de Ourinhos (SP), e depois eleito deputado federal. Sua irmã, Maria Luisa, foi vereadora e seu irmão Carlos Alberto Egreja foi prefeito em Ipaussu.

Quando o pai completou 100 anos, em 2001, José Egreja lançou o livro “Sylvestre Ferraz Egreja 100 anos de luta”. Com 429 páginas, o livro conta a história da família Egreja. Descendente de espanhol, Sylvestre era mineiro e adotou Ipaussu como moradia após comprar a Fazenda Santa Rosa, uma das maiores da região, para plantar café.

 Recém-chegado a Ipaussu na década de 30, o governador Armando Sales de Oliveira nomeou Sylvestre para administrar a cidade entre 1933 e 1934. Mas não foi mérito dele. O ex-deputado atribui à sua neutralidade no município. Como era recém-chegado, não engajado na política, foi aceito pelas duas facções políticas como solução conveniente pelos dois lados.


Apoio à Cultura

José Egreja faleceu aos 92 anos em Penápolis. Ele também era rotariano


Ao lado do irmão Celso Egreja, José Egreja sempre valorizou as manifestações culturais e sob seu comando, a usina Campestre chegou a manter uma escola de samba, que se apresentava em Penápolis e por várias cidades da região. Toda vez que terminava o carnaval no Rio de Janeiro, os dois irmãos viajavam para lá para a compra das fantasias usadas nos desfiles. Ele também fornecia, emprestado por alguns dias, algumas dessas fantasias para abrilhantar concursos de fantasias em diversos clubes. O Clube dos Bancários de Marília utilizou por diversas vezes essas fantasias para a realização de sues "avant premiere" dos bailes carnavalescos.

Eles montaram também um estúdio para gravação de discos na época dos famosos Long Plays (LPs). Vários grupos musicais, entre eles o Musical People’s de Marília e Apolos Band, de Apucarana, utilizaram os estúdios para gravarem seus discos. Também ajudou a montar a primeira rádio de FM na cidade de Penápolis.

Como jornalista, na época trabalhando para o jornal Folha da Região, em Araçatuba, tivemos oportunidade de entrevistar José Egreja por mais de uma hora, na sede de sua fazenda, quando ele falou de sua paixão pela Cultura e pelas obras de Arquitetura, profissão que ele não chegou a exercer. Em sua sala de estar ele possuía coleções de livros que retratavam, em fotos, as grandes e bonitas obras arquitetônicas construídas ao redor do mundo. A casa da sede de sua fazenda já era, por si só, uma grande obra de arquitetura moderna para a época.

Integrantes do Grupo Musical Peoples, de Marília, ficaram uma semana hospedados na sede da Fazenda Campestre, em Penápolis, para gravar o primeiro disco da banda


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