18 novembro 2020

27 mil eleitores anularam o voto, votando nulo ou em branco em Rio Preto

 

Votar em branco e ou nulo não serve como forma de protesto. Muito contrário: ajuda a eleger candidatos com histórico de vida ruim


O que aconteceu nessas últimas eleições em grande parte das cidades brasileiras talvez nem Freud, o médico neurologista criador da psicanálise, explica. O que fez, por exemplo, mais de 12 mil eleitores rio-pretenses sair de casa, muitos atravessando a cidade de ponta a ponta, transitando sete, oito ou mais de 10 quilômetros para chegar na escola onde deveria votar. Enfrenta fila para entrar na cabine eleitoral. Mas na hora de realizar o ato mais importante para democracia simplesmente não o fazem. Apertam a tecla “Branco” ou digitam “00” e confirmam com o “Verde”.

 Isto sem falar na ausência nas urnas. Um terço do eleitorado deixou de comparecer. Foram 104 mil faltosos (31,33% do eleitorado). Em que pese a questão da pandemia e o temeroso medo de contaminação a abstenção registrou crescimento de 9,31% em comparação com as eleições de 2016 e de 8,33% com a de 2018.

O total de votos em branco ou nulos nestas eleições em São José do Rio Preto são muito expressivos. Foram 27.733 votos nulos e em brancos considerados com inválidos. Para se ter uma ideia essa quantidade de eleitores, 27 mil, significa quase três cidades com a população de Nova Aliança ou de Sales, por exemplo. 

Votos nulos e brancos poderiam eleger três novos

Votos nulos e em branco daria para eleger três novos vereadores difrentes

  Em toda eleição circula pelas redes sociais uma perigosa campanha alienante convocando os eleitores para votar nulo ou em branco. “Todos são corruptos, vamos votar nulo e as eleições serão anuladas”. O texto é totalmente mentiroso. Primeiro porque generaliza todos os políticos como corruptos. E não é verdade. Existem exceções! É mentira, e deslavada, a informação de que se a maioria votar nulo a eleição será anulada. Isso não existe.

 O que vale são os votos válidos, que excluem os nulos e brancos. Mesmo que um candidato obtenha, numa hipótese muitíssimo remota, um voto só, o dele, por exemplo, a eleição será dada como válida.

 Na prática, tanto voto nulo quanto o voto em branco não são considerados na soma dos votos válidos. Ou seja: não servem para nada. Nem para protestar. Mesmo se esses votos – brancos e nulos --fossem hipoteticamente a maioria, a eleição não seria anulada. E a suposta de ideia de protesto não tem validade nenhuma.  

 Quando o eleitor vota nulo ou em branco, ele acaba, na verdade, abrindo brecha para que um candidato ruim acabe vencendo a eleição com um menor número de votos necessários. É evidente que aqueles que já estão no poder, e bem empregados, não querem sair. E para tirar eles de lá só existe uma maneira: votando em candidatos estreantes ou que não estejam empoleirados no poder.

 Não é votando em branco ou anulando seu voto que irá conseguir tirar quem já está lá no poder. Pelo contrário. Dessa maneira você facilitar a vida de candidatos com perfil questionável. Eles irão precisar de menos votos para se elegerem.

 Dos 11 vereadores reeleitos em Rio Preto, nove tiveram votações menores em comparação com a eleição de 2016. Alguns com votações duas ou até quase três vezes menor.

 Se os 27 mil eleitores que votaram nulo ou em branco tivessem escolhido algum candidato, que não fossem os atuais, teriam eleito pelo menos outros três ou quatro vereadores novatos, renovando a representatividade na Câmara Municipal. 

Quociente Eleitoral (QE)

Somente sete partidos conseguiram atingir o QE de 11.802 votos e pela sobra, pelo quociente partidário, outros dois partidos.

O quociente eleitoral (QE) é um método pelo qual se distribuem as cadeiras nas eleições pelo sistema proporcional de votos em conjunto com o quociente partidário e distribuição das sobras. O Método é antigo e vem sendo utilizado no Brasil desde a proclamação da República em 1889.

 Primeiro é preciso ter em mente que o mandato teoricamente pertence ao partido e não ao candidato. O quociente eleitoral se dá pela somatória dos votos válidos, ou seja, aqueles nominais (dados a candidatos) ou à legenda. O voto dado à legenda é aquele quando o eleitor fica indeciso na hora de escolher o candidato a vereador e vota apenas no partido pelo qual tem simpatia. Para isso, basta digitar o número da legenda, dois dígitos, de um dos 33 partidos que estão na disputa e apertar o verde.

 Entretanto, o que muitos eleitores ainda não sabem é que, com a cláusula de barreira, se optar por essa estratégia pode acabar beneficiando outra sigla e ajudar a eleger um candidato de um partido com viés político totalmente diferente.

 O quociente eleitoral (QE) é um método pelo qual se distribuem as cadeiras nas eleições pelo sistema proporcional de votos em conjunto com o quociente partidário e distribuição das sobras. O Método é antigo e vem sendo utilizado no Brasil desde a proclamação da República em 1889.

 Primeiro é preciso ter em mente que o mandato teoricamente pertence ao partido e não ao candidato. O quociente eleitoral se dá pela somatória dos votos válidos, ou seja, aqueles nominais (dados a candidatos) ou à legenda. O voto dado à legenda é aquele quando o eleitor fica indeciso na hora de escolher o candidato a vereador e vota apenas no partido pelo qual tem simpatia. Para isso, basta digitar o número da legenda, dois dígitos, de um dos 33 partidos que estão na disputa e apertar o verde.

 Entretanto, o que muitos eleitores ainda não sabem é que, com a cláusula de barreira, se optar por essa estratégia pode acabar beneficiando outra sigla e ajudar a eleger um candidato de um partido com viés político totalmente diferente.


16 partidos não atingiram o quociente eleitoral e nem partidário e por isso ficaram sem eleger vereadores. Um deles foi o PDT, onde candidato Abner Tofanelli obteve 3.467 votos. A somatória do PDT foi 6.412 votos

Cláusula de barreira

 A nova regra, que passou a valer pela primeira vez nas eleições municipais de 2016, determina uma “nota de corte” para os postulantes. O candidato precisa ter um mínimo de votos válidos, equivalente a 10% do quociente eleitoral para poder assumir uma cadeira. Como nesse ano o quociente eleitoral, que a soma dos votos válidos dividido pelo número (17) de cadeiras na câmara, em São José do Rio Preto foi de 11.802, a quantidade mínima necessária foi de 1.180 votos.

 A cláusula de barreira foi instituída para se evitar o chamado “efeito Enéias”. Em 1996 o médico cardiologista, por ter se candidato três vezes a presidente da República usando o bordão “Meu nome é Enéias” porque não tinha tempo na propaganda gratuita no rádio e na televisão, se elegeu deputado federal com a votação histórica de 1,1 milhão de votos, carregando com ele outros cinco deputados com votações pífias em torno de apenas 300, 250 votos. A mesma situação aconteceu em algumas Assembléias Legislativas. Em São Paulo Afanásio Jazadji foi eleito deputado estadual arrastando outro quatro com votações irrisórias.


 

16 partidos ficaram sem cadeiras na Câmara Municipal

 Votação de Edinho cresceu

Edinho superou a votação dele de 2016 e se fossem somados os votos dados à legenda do MDB ele chegaria a 57% dos votos válidos na cidade

 Ao contrário da maioria dos vereadores reeleitos que viram suas votações murcharem, o prefeito Edinho Araújo (MDB), reeleito, teve sua votação aumentada em 2,58% em relação as eleições de 2016. Nestas eleições ele registrou 54,84% dos votos válidos contra 52,26% em 2016.

 A votação do prefeito Edinho poderia ter sido maior ainda se computar os votos em legenda que 4.495 eleitores deram para o MDB ao votar para vereador. Muito provavelmente boa parte desses eleitores confundiram a ordem na hora de votar, já que a urna pedia que se registra-se primeiro o voto para vereador.

Alguns eleitores, principalmente os de mais idade, podem ter se confundido na hora de votar para vereador e digitaram somente dois dígitos, com o número 15, do MDB, pensando que estivessem votando para prefeito. Apertaram o verde e confirmaram o voto na legenda.

 Nem o PT e PSOL, partidos que costumam fazer campanhas para que se votem na legenda, tiveram votações expressivas com o voto legenda nestas eleições. PT somou 603 e PSOL, 541 votos em legenda. O mesmo eventual erro pode ter acontecido com o Partido Republicano, que teve a Coronel Helena como a segunda colocada nessas eleições. O Republicano teve 2.007 votos em legenda, sem que tenha feito campanha para isso. E o MDB 4.495 votos em legenda.

 Não se sabe ao certo e nem tem como provar, mas muito provavelmente, quem por engano votou na legenda partidária para vereador também deve ter se confundido ao dar o segundo voto, para prefeito, digitando os cinco dígitos para vereador e a urna ter captado os dois últimos algarismo, anulando o voto (caso não fosse relacionado a nenhuma sigla) ou contando para outro pretendente ao cargo.

Supondo que os 4.495 votos dados à legenda do MDB na eleição para vereador fossem direcionados para o prefeito Edinho, o emedebista ficaria com 116.020, atingindo 57,05% dos votos validos.

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