05 fevereiro 2020

Cerca de 70% dos dentistas sofrem com problemas nos membros superiores

Lesões por Esforços Repetitivos afetam, principalmente, as mãos;
 SBCM orienta para prevenção

Nas mãos do dentista estão a entrega de um sorriso mais saudável e bonito, mas também, estão dores. Isso porque esses profissionais são comumente acometidos pelas LERs/Dort, doenças caracterizadas por dor crônica que comumente afetam músculos e nervos e membros superiores, e cuja etiologia está relacionada aos movimentos repetitivos realizados no trabalho. Segundo o CROSP (Conselho Regional de Odontologia do Estado de São Paulo), cerca de 70% dos profissionais da área relatam algum tipo de dor pelo corpo, principalmente nos membros superiores.

“O dentista emprega força em muitas ações realizadas durante os tratamentos, necessitando ainda de precisão e execução de movimentos finos em grande parte dos procedimentos. Essa situação aumenta o risco desses profissionais desenvolverem variadas patologias”, explica o presidente da SBCM (Sociedade Brasileira de Cirurgia da Mão), Dr. João Baptista Gomes dos Santos. A entidade lança campanha, em parceria com o CROSP, de conscientização aos dentistas, com orientações para evitarem problemas.

Lesões mais frequentes

Síndrome do túnel do carpo: trata-se da compressão do nervo mediano em nível de punho. “Além da dor, esse problema traz perda de sensibilidade e impotência funcional durante a flexão do primeiro, segundo e terceiro dedos”, explica o especialista, completando que essa síndrome está mais ligada à repetição do movimento do que à força empregada.

Síndrome do túnel ulnar: atinge a face flexora e extensora do quarto e quinto dedos e região hipotenar. Provoca dor, alterações na sensibilidade, perda de força e impotência funcional atingindo a face ulnar da mão.

Tendinites: inflamações que acometem os tendões. “Uma das doenças mais comuns é a síndrome de De Quervain, tendinite que afeta o polegar”, pontua o presidente da SBCM.
Tenossinovites: são inflamações das bainhas tendinosas e que, geralmente, acometem os músculos flexores ou extensores do punho e dedos, causando dor e dificuldades de realizar movimentos. “Nesse problema, há a presença de edema e perda de força muscular”, salienta o Dr. João.

Diagnóstico e tratamento

O presidente da SBCM explica que o diagnóstico das LERs/Dort é basicamente clínico, no qual é feita uma análise da vida profissional pregressa, da história da doença e de exame físico minucioso. “O médico irá analisar o tipo de função realizada no trabalho, a frequência dos movimentos, os equipamentos empregados, o tempo na função e a existência de pausas durante o trabalho”, lista.

O tratamento para as LERs/Dort vai desde o uso de medicação, fisioterapia e exercícios físicos, até cirurgias em casos mais avançados. “Nas fases iniciais, os sintomas das LERs/Dort são mais leves, o que possibilita tratamentos mais simples. Caso a pessoa não dê muita atenção logo no início, isso pode levar a evolução da doença a estágios mais severos, onde os sintomas são mais acentuados, as dores permanentes e com maior dificuldade de cura” ressalta o médico.

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