terça-feira, 5 de maio de 2020

Mulher que poderia pegar 9 anos de prisão por fake news se entrega à Polícia


Delegados Wagner Sales e Rodrigo Damiano, da Polícia Civil da capital mineira, durante entrevista coletiva sobre fake news

Depois de a Polícia Civil de Minas Gerais instaurar inquérito para identificar a autora de um vídeo em que ela acusa autoridades de terem enterrado caixões em Belo Horizonte com pedras e pedações de pau no lugar de supostas vítimas de Covid-19, ela mesma resolveu aparecer e se entregar à Polícia. Segundo o jornal “Estado de Minas Gerais”, por meio do advogado Alexsander Ribeiro, Valdete Pereira Zanco se identificou, reconheceu ter errado e pediu desculpas.

No vídeo em questão, a mulher não se identificava, afirma que  “isso a Globo não mostra caixões sendo enterrados com pedras e madeira no lugar dos corpos”. Pela manhã, em entrevista coletiva à Imprensa, o delegado Wagner Sales, chefe do 1º Departamento de Polícia Civil e Belo Horizonte, afirmou que pediria a prisão preventiva da autora do vídeo.

 Além disso, o delegado afirmou que ela poderia ser acusada de crime de denunciação caluniosa, difamação contra autoridade pública e contravenção penal de provocação de tumulto ou pânico. “As penas para esses casos, somadas, podem chegar a nove anos de prisão, além de multa”, disse o delegado, antes de Valdete se apresentar em uma delegacia do interior de Minas Gerais, por meio de advogado.

Deputada do PSL impulsionou vídeo

No último domingo, o programa Fantástico, da Rede Globo, fez reportagem sobre Fake News e mostrou que esse mesmo vídeo ganhou versões diferentes em vários Estados, como Amazonas e Ceará. “No Ceará, tem caixão sendo enterrado vazio, tem uma foto de uma moça carregando caixão com os dedinhos”, disse a deputada federal Carla Zambelli, do PSL, em entrevista para a Rádio Band.

A foto do caixão com pedra e pedaços de pau foi feita em São Carlos, três anos antes e não tem nada a ver com Coronavírus. Era a reconstituição de um crime de golpe em seguradora. Segundo o Fantástico, o vídeo foi impulsionado pela deputada Zambelli.

Informações como essa, espalhadas principalmente por bolsonaristas, têm circulado também em outras regiões do país com o intuito de minimizar a pandemia e dizer que governos estaduais e prefeituras estão enganando a população.
  
“Valdete reconhece humildemente o erro e pede perdão ao município de Belo Horizonte e seu ilustre prefeito e a todos quantos foram atingidos negativamente por este equívoco que cometeu”, disse o advogado, por meio de nota divulgada pelo jornal “Estado de Minas Gerais”. Ele informou ainda que a cliente dele já se apresentou na Delegacia de Polícia Civil da cidade de Jacutinga, onde foi lavrada a ocorrência, deixando registrado o incidente, contribuindo com a Justiça.

“Ela havia visto no Facebook um fato ocorrido em Belo Horizonte no qual caixões com pedras e pedaços de madeira haviam sido desenterrados. Na data da gravação do vídeo, no interior da loja onde trabalha, ela recebeu um cliente que coincidentemente fez os mesmos comentários, o que a fez julgar o ocorrido como verdade”, relatou o advogado dela ao jornal mineiro.

A Polícia de Minas Gerais acredita que esse caso pode servir de exemplo para que outras pessoas tomem cuidado antes de espalhar notícias falsas. “Isso só traz dúvidas e incertezas, além de prejudicar o próprio autor e quem repasse essas fake news”, afirmou o delegado Wagner Sales. “É preciso que a população se conscientize de que as atitudes no mundo virtual têm consequências no mundo real”.

Valdete Pereira Zanco, autora de fake news, se entrega na Polícia, acompanhada de advogado, com medo de ser presa 



CONFIRA A ÍNTEGRA DA RETRATAÇÃO DA MULHER:


"Venho à público esclarecer a respeito do vídeo gravado pela minha cliente Valdete Zanco e que repercute nas redes sociais. Ela havia visto na rede social denominada Facebook um fato ocorrido no Município de Belo Horizonte/MG, do qual caixões haviam sido desenterrados e localizado em seu interior, pedras e pedaços de madeira. Na data da gravação, no interior da loja onde trabalha, ela recebeu um cliente que coincidentemente fez os mesmos comentários, o que a fez julgar o ocorrido como verdade.

Quero deixar claro que o vídeo foi postado unicamente em um grupo de WhatsApp de família, tanto que início o vídeo chama a atenção de um certo Hernandes, sendo este irmão da minha cliente. Com o vazamento do vídeo do grupo de família, ele chegou a ser compartilhado em um canal de Youtube, colaborando assim pela propagação. Desconhecemos a forma como o vídeo ganhou notoriedade nas redes sociais e nos demais veículos de comunicação.

Valdete reconhece humildemente o erro e pede perdão ao Município de Belo Horizonte e seu Ilustre Prefeito e a todos quantos foram atingidos negativamente por este equívoco que cometeu . Gostaria ainda de frisar que minha cliente já se apresentou na Delegacia de Polícia Civil da cidade de Jacutinga/MG na data de 04/05/2020, onde fora lavrada a ocorrência, e deixado registrado o incidente, contribuindo com a justiça e para que essa seja promovida. 

Me coloco à disposição, Dr. Alexsander Ribeio – OAB/SP 343.210."


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