quarta-feira, 12 de junho de 2019



* Silvio Caruso Palma



Jânio da Silvia Quadros foi eleito Presidente da República em 1960. Foi professor, vereador, Deputado Estadual e Governador de São Paulo antes de se tornar presidente. Se destacou pelo combate à corrupção. Foi eleito com 5.636 milhões de votos, 48,26% dos 12.586 milhões de votos apurados. Foi a maior votação da história até aquela época. O Vice Presidente, que na época era eleito separadamente, foi João Goulart, conhecido como “Jango”, candidato de outro partido.

O Congresso era formado por 286 Deputados Federais e 42 Senadores. Jânio era muito polêmico, logo ganhou fama, ou foi criada, de ser bêbado e louco, pois criticava abertamente políticos de todos os partidos, mesmo os dos partidos aliados.

Na época, tudo era rudimentar e os poucos carros em circulação eram lavados em casa, com uma simples mangueira, ou nos postos de gasolina, não existiam os modernos “Lava jato”. Então, o Presidente sabia muito bem, nome, sobrenome e partido do que chamou de “Forças Ocultas” que o levaram à renúncia em menos de sete meses de governo. Logo nos primeiros dias de mandato, deve ter pedido a Deus que enviasse alguns representantes para ajudar o já sofrido povo brasileiro. Deus deve ter começado a pensar no assunto, mas não deu tem nem de decidir e Jânio renunciou, mas Deus não desistiu. Os “Salvadores do Brasil” teriam que ser produzidos, pois não existia nenhum pronto. São esses escolhidos que estão em ação hoje, uma nova geração! As “forças ocultas” ganharam força e dobraram, hoje são 513 Deputados, os Senadores quase dobraram, são 81. Claro que existem exceções, a unanimidade é burra, ou suspeita.


Como estamos falando de um passado distante, de quase 60 anos atrás, mas o passado ensina muito a quem souber prestar atenção nele, e estamos relembrando a campanha, a vitória e as causas da renúncia. Esse foi o símbolo e jingle da vitória, era o candidato “varrendo os ratos” do Brasil, e a musiquinha dizia o seguinte:


Varre, varre vassourinha!
Varre, varre essa bandeira!
Que o povo já tá cansado,
De sofrer dessa maneira..


Como não queria, ou não podia esperar, já sem apoio do Congresso e com vertiginosa queda na opinião pública, mas sem a menor perspectiva que um dia poderia dar nomes aos “boys”, apostou numa mobilização popular exigindo sua volta, renunciou e a manifestação popular não aconteceu. Com o palavreado rebuscado que usava, e sabia, certamente diria: a “opinião pública” é “ignóbil”, é facilmente distorcida pela mídia e pelos adversários.

O Vice, Jango, depois de muita confusão, porque os Ministros Militares, que eram escolhidos pelas Forças Armadas, inicialmente não permitiram, mas acabaram deixando Jango assumir, três anos depois assumiram plenamente o poder em 1964.

Atualmente, com a preparação e cuidados que receberam, depois de três gerações, os “enviados por Deus” estão cumprindo a missão no Brasil. São os Delegados, Juízes, Promotores e Desembargadores, gente jovem e poucos políticos, com ânimo, objetivos e sem medo de Limpar o Brasil. Até a tecnologia fez sua parte. Criou os modernos “Lava Jato”, tudo automatizado. Mas a grande “fama” só conquistou mesmo quando deixou de lavar apenas carros e está limpando o país, varrendo os ratos que Jânio tanto queria fazer...

No início dos anos 70, voei do ninho e vim pra São Paulo. Pouco tempo depois, descobri o jornalismo e entrei na Cásper Líbero, havia “espiões” nas faculdades, quando a gente fazia alguma pergunta suspeita, os professores diziam que explicariam depois. Era um código, que depois era num determinado bar. 

Ainda no segundo ano, consegui meu primeiro emprego, como Repórter estagiário na Radio Jovem Pan, no programa São Paulo Agora, comandado por Marco Antônio Gomes (alguém que gostaria de reencontrar), que era muito combativo, o programa era “Campeão de Audiência ‘no Comando do Segundo Exército e na Censura. Fui sindicalizado na Diretoria do Audálio Dantas, não tinha como não ser sindicalista. Entrei nessa lendo protestos em palcos, palanques e manifestações. Um autêntico subversivo, um alvo perfeito do regime. Só não sou hoje um desaparecido, porque observando melhor, compreendi não apenas o perigo, mas a causa. Estava sendo usado como “massa de manobra” pelos líderes do movimento. 

Saí de cena como entrei e sobrevivi, mas, minha posição contra a “mordaça à imprensa”, sempre foi e será sendo sempre. A imprensa deve ser livre, fiscalizar os atos dos governantes e divulgar tudo que for contrario aos interesses do povo. Mas é “obrigação” moral e de juramento, não pode sair destruindo a tudo e a todos, sem comprovar o que está dizendo. Não pode sair divulgando casos mal levantados, falhos. Se isso, vai ter que pegar com sua credibilidade, jogada no lixo, reparar o erro, dar o mesmo espaço ao injuriado para esclarecer os fatos e ainda ser punida rigorosamente dentro da Lei. Hoje, também prestando atenção, entendo que não existe mais a imposição da Lei de Imprensa, a imposição imposta hoje é pela “Lei de Empresa”, onde só se publica as matérias de interesse da empresa...

Isso tudo, só pra falar de meu passado, experiências e observações e da “virada radical” para o que vou dizer. Errar é o defeito mais humano que mais existe entre os ditos “civilizados”. Os nativos e isolados, são tão inocentes e puros como os animais. Não agem por maldade, nem interesse, mas sim, por instintos: como sobrevivência, procriação ou defesa. Os civilizados, não conseguem nem mesmo perceber os erros, admití-los e repará-los, muito menos se desculpar e tentar corrigi-los.

Como sou um velho jornalista experiente, mutável e mutante, continuo tendo amigos e ídolos que não veem, querem ou admitem e continuam acreditando nos erros do passado. Não tenho a mínima intençã de dar conselhos a esses amigos, muito menos a pretensão de dar um conselho, ou sugestão, à um Presidente da República, mas, se por acaso, isso chegar até ele, e ele estiver tempo e disposição para conversar com um simples e “bem intencionado” jornalista, estarei à sua disposição. Conheci e passei praticamente uma tarde inteira conversando profissionalmente com o Presidente Jânio Quadros. Inteligentíssimo, controverso, maluco e bem intencionado, mas, que não soube, ou não pode, dar o tempo certo para a ação e para a reação. Então, lá vai:


Capitão, hoje o senhor ainda tem a faca, o queijo e a goiabada nas mãos. Foi eleito Presidente por esmagadora vontade da maioria da população e tem o reconhecimento internacional com Presidente, Eleito pela Democracia, jamais poderá ser chamado de interventor, ou ditador. Tem o comando das Forças Armadas, sabe quem são “As Forças Ocultas” que continuam roendo os interesses do povo. Sua “Missão Quase Impossível” é mudar esse tipo de coisas. 

O povo, o mais sofrido, que acredito, tenha evoluído aprendido e não continue “ignóbil”, continua bombardeado pela mídia e interesses escusos, que podem influenciar na opinião pública nessa tomada de posição. Não saberia medir o “momento certo” para uma ação Presidencial nesse sentido. Também não saberia a potência da ação, mas creio que não deveria ser tão devastadora como o AI-5, ou apenas uma bronca, um “cala aboca”, ou alerta para os interesses da Nação, que nada mais são que os deveres Constitucionais de todos os governantes, principalmente do senhor, que é de governar em defesa dos direitos do povo e para o povo, esta foi sua proposta, promessa e é esperada por mais de 50 milhões de brasileiros. Então, use e abuse de suas prerrogativas de Presidente da República e faça sua promessa ser cumprida, mas, por favor, não perca o momento certo para agir, boa sorte...

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