domingo, 30 de junho de 2019



*Silvio Palma Caruso


Um dos assuntos mais discutidos no momento é o desarmamento, ou o armamento da população. O problema é que o assunto é discutido por leigos. Além das “excelências” do Congresso, OAB, Ongs, Blogs, Coques, pingues e pongues... Institutos do Sou da Paz, da Mamãe, da Vovó, das tias...

Nas Redes Sociais então, devem “fervilhar”, não tenho a menor ideia, nem quero ter. Nos veículos de comunicação, impressos, televisados e radiofônicos, dão de tudo. Têm sociólogos, psicólogos, filósofos, professores da História Antiga, de outras disciplinas e “especialistas em segurança”!

O que é um “Especialista em Segurança”? Alguém que já foi Secretário de Segurança Pública de algum Estado brasileiro e deu certo, o problema da criminalidade foi resolvido lá? Áh, ele tem Doutorado e Pós-doutorado em várias Universidades? Áh, então tá. Deve ter muitas teorias, e a prática?

Entre os professores palpiteiros, tem algum que foi “professor de tiro”, em alguma instituição militar, ou clube de tiro particular? Pra usar uma arma é preciso ter “total controle emocional”. Nem sei se existe alguma clinica, ou instituição médica suficientemente honesta para fornecer isso, ou se vendem esse “atestado” como todos os outros.

Os “filósofos” devem ter estudado o pensamento antigo, quando ainda não existiam armas de fogo. Os “sociólogos”, como as sociedades se entendiam em situações de conflito, e aí vem o “turbilhão de achismos”. Agora, cá entre nós, mortais, atuais e inseguros, num momento desses, se não tiverem conhecimento prático nenhum, não tomem partido. Seja contra, ou a favor, é opinião pessoal, é “papo de boteco”, não queira influenciar ninguém, com sua nenhuma informação, simplesmente não comente, não é burrice dizer não sei...

As “Excelências do congresso”, esses sim. Suas opiniões são importantíssimas. Eles moram em áreas de risco, usam transporte público, muitas vezes em horários noturnos, filhos indo e voltando pras escolas de bairros isolados, onde a polícia nem entra. Não, esses “seres superiores” vivem em mansões superseguras, todas com grades, cercas elétricas, câmeras de segurança, carros blindados, com motoristas e seguranças. Tudo isso, pago por nós, os “contribuintes”, é claro! O pior de tudo, é que o sim, ou o não, para nós pagadores de impostos e sobreviventes ou da violência que domina o País, vai depender dos “achismos” e/ou interesses deles!


Vamos falar sobre armas, sobre isso tenho um pouquinho de experiência pessoal e prática. Antes de qualquer coisa, arma é exatamente como um carro, moto ou bicicleta. Não existem duas iguais. Você pode pegar um carro, do mesmo ano e modelo que o seu, ao dirigir, você vai logo perceber que existem várias diferenças, de direção, freio, embreagem, entre outras. Você vai ter que praticar um pouco para adquirir confiança nele. Com armas, é exatamente igual. Não existe uma arma igual à outra. Podem ser da mesma marca, mesmo modelo, ou calibre, podem até terem da mesma sequência de numeração. Você pode ser um “exímio atirador”, não vai acertar nada antes de dar alguns tiros. Cada uma tem uma “manha”, um jeitinho, uma posição para atirar, ela pode “puxar” para um lado, ou pra outro, para cima ou para baixo, só conhecendo esses detalhes você começa a acertar. A prática é fundamental!


Vamos pra prática. Minha primeira arma/brinquedo foi uma espingarda de pressão, hoje conhecida por “ar comprimido”. Não é um brinquedo, pois atira através pressão, um chumbo muito pequeno e leve, mas ele é arremessado a uns 50 metros de distância. Essa espingardinha, como a chamava carinhosamente, ganhei aos nove anos de idade. Claro que meu pai fez uma série de explicações, restrições e cuidados que deveria tomar com aquele instrumento. Tinha outro amigo do grupo escolar, que o pai era caçador e inventou pra ele uma maquina manual de fazer chumbinhos. Pronto, estava descoberta a saída para atirar bastante.


Minha primeira arma de fogo foi uma cartucheira calibre 36, que ganhei aos 13, ou 14 anos, quando comecei a caçar com meus tios, parentes e conhecidos deles. Na época eram permitidas a caça e a pesca, o tiro ficou muito mais fácil. A espingarda de pressão disparava apenas um chumbinho de cada vez, essa nova jogava 20, ou 30 chumbos juntos. Os alvos se tornaram “difíceis de errar”. E assim foi até aos 15 anos, mais ou menos, quando comecei a ter consciência daquilo. Abandonei as caçadas e pescarias e passei a me ocupar com coisas urbanas. Voei do ninho aos 19 anos, fui pra São Paulo, trabalhei em vários lugares e a vida foi passando feito um filme divertido. Tá certo que às vezes comédia, outras drama... O tempo passou, encontrei o jornalismo e entrei de cabeça, corpo e alma.


Minha primeira arma de defesa, um revólver Taurus, calibre 36, comprei quando comecei a receber ameaças por telefone, de uma seita maluca, mas violenta, que fiz uma reportagem mostrando os absurdos que praticavam. Não podia provar, nem queria ter segurança me acompanhando por aí. Comprei minha segurança, registrei na própria loja onde comprei, simplesmente apresentando o RG. Três dias depois, passei lá, compra aprovada, retirei a arma e fui embora, sem despesa adicional nenhuma. O Porte da Arma bastou solicitar a Policia, uns três, ou quatro dias estava pronto, e eu, armado e com porte. Mas isso não me adiantava nada, precisava treinamento. Treinei muito, haja balas, mas eram tão baratas que não pesavam em nada no orçamento.


Minha segunda arma de defesa oficial, com registro e porte, que apenas transferi de uma para outra. Comprei já depois de casado, quando resolvi deixar a arma anterior com minha esposa, porque viajava à noite e ela ficava desprotegida. Como já treinava junto, bastou deixar a arma. Comprei então, um revólver Taurus, calibre 38, cano curto. Pronto, armado municiado e treinado. Mais ou menos na mesma época, não me lembro da ordem, comprei uma Carabina Urco, calibre 22, semiautomática, de repetição, com “pente” de 13 balas. Um “doce” de arma!

Quando me separei da primeira esposa, ela me devolveu o revólver que havia deixado com ela. De lá, pra cá, comprei, vendi, ganhei, troquei várias armas. Cheguei a ter uma coleção de 34 armas de fogo. Não posso deixar de citar a arma mais “preciosa” que tive. Uma Luguer, Alemã, calibre 9 mm, inesquecível! Dei tantos tiros, que tenho uma lesão irreversível de audição por causa disso. Depois vieram os filhos e as armas escondidas por segurança deles. Aí começaram as restrições legais. Comecei a vender as mais valiosas, as poucas que sobraram entreguei na Polícia Federal e recebi uma indenização mesquinha, mas, era isso, ou ser preso! Só preservei três arminhas antigas.

Mais recentemente, veio uma oportunidade para cadastrar armas, de quem ainda tivesse alguma em seu poder. Cadastrei, esperando regularizar a situação de apenas três armas antigas que guardei ilegalmente comigo. Posteriormente, houve um “recadastramento” dessas armas estive na Polícia Federal para legalizar totalmente as que restaram. Não pude concluir o recadastramento e descobri que estou com um grande problema: ainda tenho três armas registradas em meu nome, vou me complicar muito se elas forem envolvidas em algum crime. Para resolver isso terei que encontrar cada uma delas e pedir para o proprietário atual que assine um documento de posse da arma. A venda, troca, ou qualquer negócio eram praticados livremente, ninguém trocava os documentos das armas, somente as armas. Ainda não sei como resolver isso.


Acredito que esse problema do desarmamento seja muito mais sério que o meu. Cada um sabe o que deve e o que pode fazer. Se não tem segurança pública, precisamos de alguma. Mas não saia por aí dando opiniões sobre assuntos que não entende nada, isso é burrice! Não seja omisso, seja sincero e diga simplesmente, não sei nada sobre isso, não entendo do assunto...

Sem nenhum exagero, já dei milhares de tiros com muitas armas e dos mais diversos calibres, seria omisso se permanecesse calado.


Em tempo: além de me proporcionar essa crônica, o tema me fez lembrar onde, quando e com quem ficaram três armas deixadas para trás!

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