sexta-feira, 1 de março de 2019

Prefeito afirma que está trabalhando com orçamento de R$ 5 milhões defasados


 
Primeira-dama Sandra, prefeito Janjão e promotor Andre Souza

Durante audiência pública com discurso de 31 minutos, o prefeito de Cedral, Paulo Ricardo Beolchi de Lucas, o popular Janjão (PPS), expôs ao promotor de justiça André Luís de Souza, sobre a situação financeira do município. Lamentou estar trabalhando com orçamento defasado em cerca de R$ 5 milhões por causa da Câmara Municipal, que não aprovou o projeto de novo orçamento de R$ 42 milhões.

Com muitas informações técnicas e algumas confusas, o prefeito afirmou que “quando se fala em orçamento, uma coisa é orçamento e outra coisa é dinheiro”. “Tínhamos em 2018 um orçamento de 36 milhões e o município arrecadou 40 milhões. E dos quase 40, nós gastamos 37 milhões de reais”.

O prefeito disse que Cedral é um dos poucos municípios do Estado que goza de saúde financeira estável. “Tudo o que foi feito para o funcionalismo, em termos de salário, de tíquete, de cesta natalina, foi feito com recursos próprios”.

Lembrou em seu discurso, sem citar o nome do ex-prefeito José Luiz Pedrão (MDB), que a gestão anterior deixou restos a pagar. “Tinha sim saldo de convênios, que era dinheiro carimbado que não podia ser usado para outras coisas. Em 2017 fizemos tudo o que fizemos, de reformas, consertos de frotas, pagamos tíquetes atrasados (aos funcionários) e com a mesma arrecadação passamos o ano com 2 milhões de sobra, sem deixar falta nada no município”.

Ele citou que realizou reforma numa escola pagando 1.720 o metro quadrado, enquanto o Programa Minha Casa, Minha Vida paga 1.750 reais pelo metro quadrado. “Três anos atrás tinha obra aqui no município que pagaram 1.800 reais pelo metro quadrado”.
“Eu trabalho com números, não faço política”, disse, assinalando que está com  projetos de lei parados na Câmara esperando serem votados. “Me devolveram projeto pedindo descriminação de tudo. Gastamos quatro dias para levantar todos os convênios que sobraram dinheiro. Foi informado item por item. Foi tudo explicado. Para mim surpresa voltaram pedindo para desmembrar os projetos”.

Janjão elencou uma série de convênios e de obras de sua gestão e pediu colaboração da Câmara Municipal. Informou que em sua administração liberou 400 alvarás de construção. “São 400 novas famílias chegando para morar em Cedral”. Também justificou sobre a paralisação das obras da creche, destacando que em 2014, antes da obra ser concluída, a Câmara aprovou projeto dando nome para a creche. “Quando assumimos as obras estavam paradas. Retomamos essa obra da creche, mas a empresa contratada não deu conta de terminar. Tivemos que cancelar a licitação. Encontramos na fila oito empresas. Nesse interim inspirou o convênio. Conseguimos com o Márcio França (governador) a renovação do convênio”.

Para o prefeito a rejeição pela Câmara do orçamento proposto foi um derrota política. “Em 40 anos de vida pública eu nunca vi isso: uma Câmara rejeitar o orçamento enviado pelo prefeito”.

De acordo com nota postada no site da Prefeitura, após ouvir as informações do prefeito e as apresentações pelas Coordenadorias de Educação, Esportes, Assistência Social e Cultura, o promotor André não poupou elogios à atual gestão por “investir significativamente na infância e juventude”. No final o promotor pousou para fotos ao lado do prefeito e da primeira-dama Sandra Jordão.


Câmara refuta

O presidente da Câmara Municipal de Cedral, vereador Danilo Menani Tavares (PP), refutou, para o jornal Folha do Povo, as declarações do prefeito Janjão. Disse que o prefeito omite a verdade quando alega que vai trabalhar com orçamento defasado. “Na verdade o projeto de proposta orçamentária foi rejeitado pela Câmara por falta de diálogo do prefeito”, afirmou, acrescentando que “a Câmara é independente” e o prefeito irá trabalhar com o orçamento de 2018, mais a inflação do período.

“Quanto a devolução de projeto de lei devemos enfatizar que nosso objetivo foi buscar informações sem criar qualquer entrave para a administração. Porém o prefeito entendeu que não deve prestar informações à Câmara, demonstrando, mais uma vez, que não é adepto ao diálogo”, afirmou o presidente da Câmara.

Segundo Danilo Taveira, os vereadores aprovaram abertura de crédito adicional de mais de R$ 3,5 milhões, totalizando  orçamento em 2019 de mais de R$ 41,5 milhões. “Portanto essa alegação de orçamento defasado não prospera”, afirmou o presidente da Câmara. “O prefeito precisa esquecer a rivalidade política partidária e trabalhar em prol do bem da cidade e respeitar a independência da Câmara Municipal”.


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