quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019

Polícia Federal realiza busca e apreensão em apartamento de Aloysio Nunes

Ex-senador Aloysio Nunes entra nas investigações da Lava Jato



Nova fase da Operação Lava Jato, deflagrada nesta terça-feira, chegou a Rio Preto, com foco de investigação sobre o ex-senador e ex-ministro das Relações Exteriores Aloysio Nunes (PSDB). Apartamento do tucano, na região central da cidade, foi alvo de mandados de busca e apreensão, assim como imóveis dele em São Paulo. Empresas em nome do ex-senador em São Paulo também foram revistadas.

Em Rio Preto, a Polícia Federal apreendeu documentos e um pen drive. Os agentes da PF estavam acompanhados de auditores da Receita Federal, também escalados para a operação. Não havia ninguém no imóvel e três testemunhas acompanharam a busca e apreensão no apartamento do ex-senador.

Nomeado presidente da agência Investe SP no início do mês, Aloysio acabou deixando o cargo no final da tarde de terça-feira depois de se reunir com o governador João Doria (PSDB). Ele nega as acusações. “Não tenho, em minha consciência, o que possa comprometer a lisura, que sempre mantive... não me iludo quanto ao abalo que essa simples diligência, cercada do alarde, que infelizmente, tem sido regra em casos semelhantes, provocou em minha imagem”, escreveu o ex-senador, em nota. Em entrevista à TV Globo afirmou que não sabia do teor das apurações.

Além de investigar Aloysio, a Justiça Federal expediu 12 mandados e prendeu Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto. As investigações apuram esquema de propina, corrupção e lavagem de dinheiro que somam mais de R$ 130 milhões, entre 2007 e 2017. O esquema foi deletado por executivos da Odebrecht.

Considerado operador financeiro do PSDB em campanhas eleitorais, Paulo Preto, preso em São Paulo, durante a operação, é acusado de manter contas no exterior para lavagem de dinheiro. Ele foi diretor da Dersa (Desenvolvimento Rodoviário) do governo estadual, na gestão de José Serra (PSDB), de quem Aloysio era o principal o auxiliar.

Segundo o Ministério Público Federal, a Odebrechet teria repassado 275,7 mil euros (equivalente a R$ 1,1 milhão) a contas no exterior. “Valores esses que, ao menos em parte, teriam sido repassados a Aloysio”, diz trecho da decisão da juíza Gabriela Hardt.
O procurador da República Roberson Pozzobon afirmou que Paulo Preto tinha um “bunker” com R$ 100 milhões “em espécie”. O dinheiro ficava em dois imóveis do investigado. O procurador afirmou ainda que, com base nas delações de executivos da Odebrecht, que faziam os repasses, o ex-diretor da Dersa tinha até de colocar o dinheiro para secar “ao sol para não mofar” as notas.

Aloysio nega envolvimento e pede demissão no cargo de presidente da estatal Investe SP

Agente da Polícia Federal saem do apartamento de Aloysio em São José do Rio Preto
(foto: reprodução do Diário da Região)


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