quarta-feira, 6 de junho de 2018

Matuto é viagem ao tempo e no bom gosto

Roseli e Arnaldo Marques, ao lado de uma geladeira restaurada da Philco, fabricada em 1940 


Bady Bassitt não é uma cidade turística. Mas tem suas características que se destaca entre os municípios da região. Primeiro por ter um dos mais antigos armazéns e conhecidas porcadas do interior paulista. O local é referendado por viajantes desde quando o chão da estrada era de terra batida.

Depois a cidade ganhou fama na redondeza por causa das mulheres confeiteiras de bolos para festas de aniversário e casamentos. Bady ficou então conhecida como “a cidade das boleiras”. De uns tempos para cá virou a “capital das indústrias da reciclagem” por causa da concentração desse tipo de empresas no município.

Mas atualmente o que vem atraindo a atenção de moradores de diversas cidades é antiquário conhecido como Café do Matuto, que nos últimos dois anos se transformou em um dos mais requintados restaurantes da região.

Roseli e Arnaldo Marques, proprietários do estabelecimento, situado numa esquina, bem ao lado do prédio da prefeitura, se dizem espantados com a quantidade de clientes que tem se dirigido ao restaurante nos finais de semana. Tem dia que a demora da fila de espera para um lugar na mesa chega a 40 minutos.

“Mas vale a pena, a comida é muito boa”, diz o empresário e professor Antonio Carlos Parise, ex-presidente da Associação Comercial e Industrial de Rio Preto (Acirp), que quase todos os domingos costuma almoçar acompanhado da esposa Maria Olímpia e amigos no restaurante. “Além disso, o melhor de tudo é o café, com sabor e aroma especiais, e a cordialidade dos donos da casa”, acrescenta Parise. O local é muito frequentado por juízes, promotores e empresários de Rio Preto, Catanduva e de José Bonifácio. 

Segundo Parise, também são visto com frequência no restaurante o secretário de Trânsito de São José do Rio Preto, Marcos Apóstolo, o advogado Henrique Dias, o consultor  empresarial Luiz Fernando Garcia e João Roberto Saes, ex-presidente do Lions Centro de São José do Rio Preto.

Arnaldo, natural de Borboleta, nome antigo do município, é aficionado por coisas do passado. Ele mesmo produz e comercializa a maioria das peças, como luminárias, objetos de arte e decoração que enfeitam o local.

Logo na entrada do restaurante o visitante encontra um saco aberto com café cru, onde é possível pegar um punhado de grãos nas mãos e sentir o cheiro do fruto. Ao lado da casa de café está um baleiro de vidro e tampas metálicas que, segundo Arnaldo, tem mais de 100 anos de idade.

A casa é toda decorada com móveis, quadros e objetos clássicos que nunca saem de moda. Quem chega se contempla com vários objetos raros, como uma antiguíssima cadeira de barbearia, totalmente reformada, bicicletas, balanças, televisores, aparelhos de rádio e geladeiras das décadas de 1940, 50, 60 e 70. “Temos vários rádios e tvs da época em que funcionavam com válvulas”, informa Arnaldo.

Dependurado no teto estão vários chuveiros do tipo “Tiradentes”, daqueles antigos e de balde que se encontrava muito em sítios. Nas paredes estão afixadas diversas calotas de carro. Tem desde o Corcel, Dodge Dart, Opala e do antigo Fusca. Até as paredes, balcões, portas e janelas foram construídos com materiais de demolição que não se fabricam mais.

O restaurante tem hoje cerca de 450 metros e acomoda confortavelmente 200 pessoas sentadas. Mas devido ao grande movimento, principalmente aos sábados e domingos, o casal Roseli e Arnaldo já pensam em ampliar as instalações. “Já temos comprado 70 mil tijolos, ou melhor, aqueles ‘tijolões’ antigos de demolição, para construirmos mais 500 metros quadrados”, informam, apostando que depois que a duplicação da rodovia BR-153 ficar concluída no trecho entre Bady Bassitt e São José do Rio Preto, o movimento da casa vai dobrar.

Comida

No cardápio, além dos pratos a la carte, é servido, durante a semana, o prato executivo, com preço bastante convidativo, e o saboroso lanche de linguiça, a R$ 16,90. Aos sábados tem a tradicional feijoada, regada a caipirinha. A casa oferece uma vasta carta de vinhos e cervejas para todos os gostos, além do chope da cervejaria Trieste.

Entre as sobremesas destacam-se o brownie e o pudim de leite com calda de vinho, que dá um toque especial no sabor. O brownie é uma sobremesa de chocolate típica da culinária australiana parecida com um bolo feita num tabuleiro e que tem como característica uma massa mais pesada, úmida e perfumada, com muito chocolate, manteiga e castanha.


Baleiro de vidro com mais de 100 anos  na entrada do restaurante

Observem as bicicletas antigas dos anos 60, 70 e 80 dependuradas no teto do restaurante

Balança da Filizolla da década de 60 numa das prateleiras do local

Cadeira de barbeiro da década de 50 é uma das atrações do Matuto

Acordeon antiguíssimo e ainda funcionando 

Observe os lustres com 36 lâmpadas acopladas e adaptadas em garrafões de vidro cortados

Nas paredes também estão fotos do time de futebol de Borboleta de 1962

Televisores da época da válvula

Calotas de carros antigos enfeitam as paredes. E cartaz informa que o tempo de espera pode ser de 40 minutos

Balança com sacas de café é atração para a juventude

Os lustres confeccionados pelo Arnaldo são uma atração a parte

Uma das alas do restaurante

Na parte superior do restaurante os vasos de orquídeas naturais também chamam a atenção

Aparelhos de telefones antigos num dos cantos do restaurante

Conjunto de louças com xicarás, chaleira e bule para café

Ventilador de parede todo metalizado em ouro

Ala reservada do restaurante para conversas mais informais

Chuveiro de sitio, tipo "Tiradentes"

Orquídeas naturais são também atração à parte no resturante

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