quinta-feira, 31 de maio de 2018

Morre Audálio Dantas, um dos grandes jornalistas brasileiros

Audálio Dantas era um ícone do jornalismo brasileiro


O jornalismo brasileiro perde um dos seus mais importantes profissionais com a morte de Audálio Dantas, aos 88 anos, nesta quarta-feira (30), vítima de câncer, que tratava desde 2015.
Ele foi velado no auditório do Sindicato dos Jornalistas no Estado de São Paulo (Rua Rego Freitas, 530, Vila Buarque). E o corpo dele foi cremado, a pedido da família, no Cemitério da Vila Alpina.
Dantas presidiu o Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, de 1975 a 1978 e foi o primeiro presidente eleito para a Federação Nacional dos Jornalistas. O Sindicato dos Jornalistas informa que em entrevista ao Jornal Unidade, em 2017, ele afirmou que a maioria dos jornalistas não percebe "que a defesa dos seus interesses passa por uma coisa que é civilizatória, que é a organização sindical, aquilo que permite uma discussão entre trabalho e capital. Não sendo assim, prevalece a ditadura. Só isso já bastaria para dizer que ser sindicalizado é um ato de inteligência”.
Foi eleito deputado federal pelo MDB, em 1978, quando a ditadura civil-militar (1964-1985) só permitia a existência de dois partidos (Arena, de situação e MDB, de oposição). Trabalhou em importantes veículos da mídia comercial, como a revista Realidade. Começou a carreira jornalística em 1954 no jornal da família Frias Folha da Manhã, atual Folha de S.Paulo.
Passou pela revista O CruzeiroQuadro RodasVeja (quando ainda era uma revista de informação), Manchete e Nova. Em 1981 ganhou o Prêmio de Defesa dos Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU).
Em 1990 ele ajudou a refundar o jornal A Notícia, do empresário Marco Antonio dos Santos,  em São José do Rio Preto. “Tive a felicidade de ter Audálio Dantas como meu chefe de redação no jornal A Notícia”, conta o jornalista Nelson Gonçalves, hoje editor-chefe da Folha do Povo. “Lembrou que ele chegou um di apara mim e pediu para fazer o editorial do jornal. Escrevi que ’faltava justiça na Justiça’. Deu o maior quiproquó. A juizada e os promotores da época ficaram furiosos e nos intimaram para comparecer ao Fórum. Audálio me acompanhou nessa ida ao Fórum. Dono de um oratória invejável ele discursou por quase uma hora deixando todos atônicos e admirados. Saímos de lá aplaudidos”.
Audálio  ao assumir a presidência do Sindicato dos Jornalistas  teve de enfrentar os ditadores por causa da morte do jornalista Vladimir Herzog em 1975. Coube a ele denunciar o assassinato do jornalista da TV Cultura nas dependências do Doi-Codi, em São Paulo.
 A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), emitiu nota afirmando que Audálio era um jornalista e cidadão de fato que está na história do jornalismo brasileiro. “Audálio é um dos bons que entra para a história do Jornalismo brasileiro por sua atuação profissional, sindical e cidadã. Por sua vida e obra, ganhou o direito à imortalidade, um direito almejado por todos mas só consentido aos que foram realmente imprescindíveis”, diz a nota da Fenaj.








0 comentários:

‹‹ Postagem mais recente Postagem mais antiga ››