domingo, 15 de abril de 2018

“Uma no cravo e outra na ferradura”




É um ditado popular, regional e muito antigo, portanto, deve ser pouco conhecido. Vou tentar localizar isso no tempo e no espaço. A frase me foi dita por meu avô, da região de Ribeirão Preto, Cravinhos, São Simão. Como meu pai nasceu em 1917, quando o século XX ainda era “de menor”, meu avô era do século retrasado, XIX, esse nosso, o XXI está completando os 18 anos agora!

Na época as ferraduras dos cavalos eram fabricadas artesanalmente, com 7 furos e colocadas por “ferreiros”. Elas eram fixadas nos cascos dos animais, por pinos de ferro chamados “cravo”. Acredito que a operação não doía, mesmo porque, o cavalo ficava com a pata docilmente dobrada sobre a perna do ferreiro. Então, ele dava uma martelada no cravo e outra na ferradura, creio que para posicionar e fixar o artefato.

Fora do cavalo e do ferreiro, o ditado seria pra dizer o que usamos hoje, o “bate e assopra”, “um tapa e um beijo”, “uma bronca e um agrado”, ou seja, “uma a sério e outra na brincadeira”... tendeu? Vou fazer uma crítica, uma provocação, uma paulada e uma brincadeira!

Então, vamos começar agora com uma “no cravo”, uma crítica seria.

Esse país está do jeito que está, porque falta RECLAMAÇÃO!

Ninguém acredita em nada, reclama de nada! Por quê? Porque as instituições estão desacreditadas, as pessoas estão acomodadas.

Você reclama quando um comerciante desonesto que te vende uma mercadoria com defeito, ou estragada? Não adianta? Claro que adianta, já fiz muitas reclamações no PROCON e todas, “absolutamente todas” foram resolvidas! Já reclamei contra operadora de tevê a cabo, telefonia móvel e fixa, Sem Parar nos pedágios, compras pela internet, bancos e até do PROCON, no próprio PROCON!

Vou contar essa:
Certa vez descobri que estava sendo assaltado por um banco durante exatos 3 anos, 36 meses. Vinha sendo cobrado um daqueles “pacotes de serviços” que costumam cobrar, mas no meu caso, não ofereciam serviço nenhum, apenas o catão de débito. Quando soube que por norma do Banco Central, existe uma modalidade de conta sem nenhuma despesa para o cliente. Você tem direito ao cartão de débito, a um talão de cheques comuns, durante um período, pode fazer apenas determinado número de saques. Depósitos não, isso você pode fazer quantas vezes quiser. Claro, querem apenas usar seu dinheiro sem pagar nada por isso.

Como nessa época já morava em São Paulo e a conta era aí de Rio Preto, liguei pra agência. Quem me atendeu disse que teria que ir pessoalmente a agencia para cancelar a cobrança. Justifiquei que morava em São Paulo, portanto não seria possível fazer isso. Diante da insistência do funcionário, concordei em ir pessoalmente, em um final de semana que estivesse aí, bastava abrir a agencia e escalar um funcionário para me atender. Ele disse que isso era impossível. Forcei a determinação do Banco Central e insisti em falar com o gerente. Ele pediu pra eu aguardar na linha, depois voltou com a informação que a cobrança estava suspensa. Mas isso não me bastava, queria a restituição dos 36 meses de cobrança indevida. Aí começou o drama, mas não desisti, fui em frente!

Juro que costumo não ser “chato”, mas quando invadem meus direitos não consigo ficar calado, reclamo mesmo! Pois bem, recorri à Ouvidoria do banco, via Internet e expus o caso. Passado alguns dias, recebo um envelope grande, vermelho, papel couché, mas a resposta desanimadora. Não seria possível estornar os valores pagos! Não desisti, recorri ao PROCON, aliás, fui duas vezes em dias da semana, é só encontrei um aviso de “senha esgotada”. Então fui no sábado pela manhã. Resultado: senha esgotada.

Foi quando tive a brilhante ideia de recorrer ao setor de informações e perguntei: Como faço para fazer uma reclamação contra o PROCON, aqui no PROCON?

A moça não deu risada, mas achou estranho e perguntou: O que está acontecendo? Contei essa estorinha e ela disse que iria me abrir uma senha. Me deu a senha e saí procurando um lugar pra sentar, num salão já cheio de gente em pé... Para minha surpresa, chamaram meu número! Sendo assim, fui até o atendente e contei meu caso com o banco. Desanimador! Segundo ele, iria encaminhar a notificação ao banco, mas não via chances de ser atendido. Diante de minha insistência, deu andamento. No decorrer da semana recebo uma ligação do banco. Me perguntavam se realmente havia recorrido ao PROCON contra o banco. Confirmei toda a estória e me perguntaram de quanto seria o valor requerido. Sem saber como calcular, respondi que a última cobrança realizada foi no valor de R$19,00 e alguns centavos. Para facilitar os cálculos, sem computar os valores anteriores corrigidos, seria em torno de 36 vezes R$20,00. Ele disse tudo bem, são R$720,00. Respondi que não sabia, pois estava na rua e sem calculadora ele respondeu que fez a conta estava certa e que o dinheiro estarão na minha conta em 5 dias úteis. E estava! Viu só como vale a pena, ou melhor, temos que reclamar de TUDO! Não acredita? Então fique no prejuízo...

Você reclama quando um “espertinho” fura a fila do caixa eletrônico, ou do supermercado, você reclama? Tem que reclamar! Já tirei cara da fila, com ajuda se segurança, ou de outros da fila. Só assim esse país vai mudar, vai ser honesto, consciente, com bom senso...

. Certa vez travei a fila de um supermercado por causa de centavos. Não, não sou sovina. Apenas exijo meus direitos, isso se chama “cidadania”, onde temos deveres, mas também temos direitos, isto está na lei! Voltemos à fila do supermercado: fiz uma compra que não me lembro do valor total, sei que era qualquer coisa e 20 centavos. Perguntei para a moça do caixa: posso ficar devendo 20 centavos? Ela disse que não, então peguei uma nota de 1 ou 2 reais e entreguei pra que ela fizesse o troco. A infeliz me pergunta? Posso ficar te devendo 30 centavos? Respondi primeiro para a fila: procurem outro caixa porque esse aqui “melou”. E disse pra ela: não. Não pode ficar me devendo 30 centavos, quero meu troco e não aceito mais o desconto que pedi, não aceito balas ou qualquer outra coisa. Ela insiste: então vou ter que chamar o gerente! Retruquei: faça isso antes que eu chame a polícia! O gerente teve mais bom senso e resolveu o problema da forma que exigi. É sempre assim, temos que reclamar para mudar tudo.

Estou tentando mostrar, no meu entender, que os absurdos e roubalheiras desenfreadas e da conivência entre os políticos comparsas que acontecem em nosso país, nós somos os culpados! Quando você vai comprar um produto qualquer, que tenha o mesmo preço, se não existir um melhor que o outro, você compra o menos pior? O preço que pagamos para cada político é o mesmo em todas as esferas. Aí, você elege um político estragado ou com defeito, faz o que? Vai reclamar no Procon? Não vai adiantar, ele não devolve o dinheiro, nem sai do poder. E você, reclama, vai pra rua, participa de manifestações ou vota nele, ou no menos pior na próxima eleição? Aí, o errado (ele) tá certo e você, eleitor está errado porque calou a boca, não reclamou...

É sempre assim, temos que reclamar de tudo, para mudar tudo.

Até compreendo o “cala boca” de três gerações que nasceram durante o regime militar. Foram 20 anos proibidos de reclamar e mais 10 anos para entendermos que podemos e devemos reclamar. O primeiro grande grito da população foi em 1984, com o “Diretas Já”. Depois vieram os “Caras Pintadas”, em 1992, pedindo o impeachment de Collor. Estava na Avenida Paulista e me emocionei com a esperança que o Brasil tinha acordado, tinha solução!

Depois de 20 anos de silêncio, apatia e servidão, em julho de 2013, um novo despertar! Começou com um movimento por causa de aumento do preço das passagens de ônibus em São Paulo e se alastrou pelo Brasil como fogo no cerrado. Novas causas, motivos, categorias e a população foram às ruas. O movimento conseguiu reverter o aumento e outras reivindicações, porque implantaram os “baderneiros”, intimidando a população.

A queda de Dilma e a prisão do Lula também ganharam as ruas em todo o país. Não interessa se a favor, ou contra, o importante é expressar sua opinião. Os baderneiros devem ser excluídos pelos próprios manifestantes, não contem muito com a polícia!
As redes sociais, novas armas para os dois lados, mobilizam, têm seu peso político, mas político só tem medo da população, da imprensa e felizmente, ainda, ou novamente... da Justiça!

USE SUA FORÇA: VÁ PRA RUA E GRITE!

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