domingo, 15 de abril de 2018

A indescritível sensação de sair do armário...



Não é fácil, o coração bate mais forte e mais rápido que “surdo da Mangueira”, no desfile das escolas de samba do Rio! Além disso, é preciso muita, muita coragem e bastante calma. É com a “liberdade” do parto, ou a “libertação” da morte...

A coisa é antiga, mas tenho que contar tudo desde o começo. Entrei no tal de Face Book por insistência de um grande amigo aí de Rio Preto, o Serginho (Sérgio Santos). Ele insistiu tanto para que eu entrasse, por ser polêmico e produzir textos que teriam grande repercussão. Só escrevi um, nem me lembro sobre oque, só sei que comecei mais ou menos assim: você sabe por que a merda do cavalo é em bolinhos? A da vaca, em plastas?  A do cabrito em bolinhas e a do coelho em bolinhas menores ainda? Então, se você não entender nem de merda, por favor, não comente, nem “curta” ou compartilhe o que vou escrever, e escrevi...

Repercussão Fantástica! Não gosto da unanimidade, acho ela burra. Nem Jesus Cristo conseguiu unanimidade! Eu consegui nesse feito: nenhuma repercussão, nenhum comentário, nada. Cheguei à conclusão que o Face é um lugar para quem não tem opinião, dar opinião! Nunca mais escrevi, mas achei bom. Reencontrei velhos amigos, recebi pedidos de amizade de canalhas conhecidos querendo ser meu amigo no Face, deletei tudo. Só via aquilo quando algum “amigo de verdade” me escrevia algo. Seguidores, então, jamais! Se tivesse mais que ½, teria “mania de perseguição”!

Recentemente surgiu um fato novo. Fui um dos 400 mil felizardos no Brasil que tiveram o Face invadido. Então, “alguém”, porque nessas redes sociais você não sabe se esse alguém existe, ou só existe o virtual. Se é homem, ou mulher você nunca vai saber. Aliás, sem nenhum preconceito, pois até meus conceitos mudam, basta um novo entendimento. Então, hoje está tudo muito mais liberado e liberal, temos o heterossexual, o homossexual e até o bissexual! Não me perguntem o que é...

É normal a molecada falar do “namorado da minha mãe”, da “namorada do meu pai”. Antigamente, nem em sonho. O namorado do meu pai, ou a namorada da minha mãe, nem em pesadelo! Já deve estar rolando por aí...

Felizmente hoje está tudo mudado. Todo mundo tá saindo do armário. Só quem já saiu, já sentiu. Diria que a sensação de sair do armário só é comparável à liberdade parto, ao sair de um ambiente escuro e abafado e encontrar um mundo claro, ensolarado, arejado para respirar pela primeira vez. A sensação de libertação, alívio e leveza, somente comparada à da morte, ao deixar um corpo quebrado em um acidente, doente incurável, irrecuperável pela idade avançada. Um corpo que já não te interessa mais...

Voltemos ao Face. “Alguém” colocou seus desejos sexuais em meu nome. Como raramente via aquilo, só fiquei sabendo quando comecei a receber ligações de amigos apavorados, indignados, preocupados, para que eu tirasse aquilo de lá. Como sempre tenho muitas coisas “menos importantes pra fazer”, não me preocupei com isso, afinal, pra quem me conhece não preciso justificar nada. Para quem não me conhece, não iria adiantar nada minhas justificativas, meras desculpas. Só fui ver o que era, quando uma amiga me perguntou: resolveu sair do armário? Depois de ver o que estava ocorrendo e de muito pensar e relembrar, fui obrigado a concordar com ela... Sim, saí do armário! Isso aconteceu há muito tempo, mas só agora com a liberação geral e a minha, posso confessar. 

Se você pretende tomar essa decisão, preste atenção na “voz da experiência”, que essa orientação você não vai encontrar nem no Google, mesmo assim, reações adversas podem ocorrer. Tudo aconteceu ainda na juventude, aquela fase que você não sabe que curso vai fazer, onde vai trabalhar, onde vai morar, o que você quer. Então você começa a tentar, procurar e arriscar tudo. Quando dei por mim, estava dentro do armário! Mas, você tem que sair romper essa barreira. O coração bate alto, forte e descontrolado. A respiração fica ofegante, um suor frio começa a brotar pela pele. A adrenalina jorra solta e uma escuridão invade sua visão... Muita calma nessa hora! Controle-se, acalme-se, espere o momento certo que você receberá um aviso. Finalmente ele chega! Aí bate um tremendo medo, ou será pavor? O que vai acontecer, como será daqui pra frente? E se tudo der errado? Tem volta?

Aquele “toc-toc” soa o clarim dos anjos, ou um tiro de canhão! Como acreditar na voz que sussurra “sai logo”! Aí, é o agora, ou nunca. Se tem que sair, que saia logo, não dá pra ficar nessa situação pra sempre! Então, você reúne forças e coragem e finalmente sai do armário. Mas ainda resta uma dúvida cruel! Sai normalmente pela porta da frente, como se nada tivesse acontecido? Pela porta dos fundos, envergonhado, arrependido? Ou sai pela janela, como um fugitivo da realidade? Mas não é momento para pensar, saia logo, o mais rápido possível! É um turbilhão de sentimentos e sensações que você só vai analisar e entender mais tarde, calmamente, depois de várias cervejas solitárias. Foi azar, ou burrice?

 É inevitável promessa para não ser cumprida: nunca mais faço isso! Depois as coisas vão se ajeitando... Não foi burrice nem azar. Foram os impulsos sexuais, as fantasias, as aventuras próprias da idade, ou isso tudo são meras desculpas pra se justificar? Então, já com mais calma, você começa a procurar um culpado... Nunca admitimos nossa culpa. Mas então, de quem é a culpa? De qualquer forma foi uma experiência maravilhosa. Mas, de quem é a culpa? Finalmente a verdade chega: dele é claro! Do marido dela, que chegou fora de hora e sem avisar! Ahahahaha!!!


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silviocarusopalma@gmail.com.br

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